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Você é uma pessoa ansiosa?

Hoje em dia, os transtornos de ansiedade estão na moda. É muito comum ouvir pessoas (quando não nós mesmos) dizerem que sofrem com ansiedade, fobias ou que possuem TOC (transtorno obsessivo compulsivo), porém, nem sempre é possível identificar realmente o que é ansiedade, nem como ela se manifesta. Para isso, é importante entender historicamente como esse fenômeno foi sendo significado, para compreender as sensações causadas pela ansiedade atualmente.

Muito antes que Sigmund Freud propusesse em seu artigo “Sobre os fundamentos para destacar da neurastenia uma síndrome específica intitulada Neurose da angústia’”, em 1895, e com isso se iniciasse um estudo aprofundado sobre esse fenômeno nos indivíduos, os iluministas definiram a ansiedade como “a ação racional que o indivíduo usa para controlar o incontrolável”.

Mas dando atenção direta à proposta de Freud, nota-se que a síndrome destacada era a neurose da angústia, porém em sua tradução do alemão para o inglês, o termo Angst foi traduzido como Anxiety, por James Strachey, tradutor das obras de Freud para o Inglês. Apesar de saber do risco dessa tradução, Strachey considerou anxiety o melhor termo para utilizar em seu idioma.

Os cognatos europeus para Angst são: Angoisse (francês), Angoscia (italiano, desde que agitando as mãos para pronunciar) e Angustia (espanhol). Em nosso idioma, o termo que ficou consolidado foi ansiedade e não angústia.

A raiz do termo Angst (alemão) é Angh do grego, que quer dizer: “apertar forte; estrangular; estar oprimido pelo sofrimento; carga; fardo e problema”. O que faz muito sentido para descrever a ansiedade que nos sufoca, porém, em nosso idioma, ansiedade é uma palavra ambígua que pode ter um significado positivo e um negativo.

Por exemplo: nas frases a seguir, qual é a sensação causada?

  • Estou ansioso para a chegada do meu aniversário!
  • Estou ansioso para a prova de amanhã!

As duas frases são construídas exatamente da mesma forma, porém, na primeira, a ansiedade para o aniversário remete a uma sensação positiva e agradável (para a maioria dos indivíduos), já a segunda remete a uma sensação negativa. Note que na primeira frase o evento futuro está totalmente controlado e a sensação positiva causada é a da expectativa. Já na segunda sentença, a prova é um evento que, por mais que se esteja preparado em relação ao seu conteúdo, não se sabe exatamente quais questões irão cair. Essa ansiedade é negativa e a sensação é de angústia, e ela se manifesta na tentativa de “controlar o incontrolável”, como disseram os pensadores iluministas.

Ou seja: antes de entender o que é a ansiedade, temos que saber diferenciar o caráter ambíguo do termo e com isso isolar a parte de expectativa e entender a parte da angústia, que realmente é o que nos incomoda quando assumimos sermos pessoas ansiosas.

Na verdade, todos os seres humanos possuem o mecanismo que dispara a ansiedade, e esse mecanismo foi capaz preservar a nossa existência no planeta, pois no momento em que nos deparamos com um elemento não conhecido, que pode representar um perigo potencial, o corpo se prepara para uma resposta imediata, como definiu Walter Cannon:

”O propósito da ansiedade é nos alertar para uma ameaça potencial e de nos preparar para reagir de forma adequada, além de avisar aos outros de que eles devem ficar a postos.”

Como um mecanismo de defesa, a ansiedade se manifesta nos indivíduos e faz com que os demais a sua volta percebam e também se afetem, mas o curioso é que os estímulos modernos que causam ansiedade nas pessoas não são percebidos como perigo potencial.

Controle financeiroPor exemplo: uma conta que eu recebi pelo correio e não tenho dinheiro para pagar, e que gera vários problemas, inclusive familiares, é bem diferente do problema de eu estar em uma floresta diante de uma onça faminta. No caso da fatura, tanto o indivíduo quanto as pessoas ao seu redor tendem a achar a situação normal e a minimizar o perigo potencial, o que, por sua vez, faz com que ele acumule diariamente inúmeras sensações de angústia, em pequenas doses, que vão sendo ignoradas.

 

Com o passar do tempo, ainda como mecanismo de defesa, a sensação de angústia começa a se intensificar na tentativa de preservar esse indivíduo, até que ela saia de seu controle e se transforme em um transtorno de ansiedade: fobias, síndrome do pânico, transtorno de ansiedade generalizado (TAG), transtorno obsessivo compulsivo ou estresse pós traumático.

Identificar os fatores estressores que geram ansiedade é o primeiro passo para tentar reduzir a sua carga diária de angústia. Nesses fatores está incluído o uso inadequado de tecnologias digitais, que consequentemente tomam um tempo importante o qual você deveria estar empregando para resolver algo realmente importante; a organização pessoal agregada com a capacidade de realizar um bom planejamento e ser assertivo em sua execução; e, por consequência desses dois fatores, a falta de concentração, que causa a sensação de que uma tarefa é infinita, quando, na verdade, ela é constantemente interrompida e dura mais tempo do que deveria.

Sabendo quais são esses elementos, há grande possibilidade de o indivíduo lançar mão de técnicas para reduzir a carga de elementos geradores de angústia e, assim, evitar que ela se torne crônica.

Já em um caso avançado, no qual a angústia impede o indivíduo de ter convívio social ou de executar tarefas simples, o caminho atualmente considerado mais adequado é a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC). Em alguns casos, a combinação da TCC com antidepressivos, ansiolíticos ou beta bloqueadores faz-se necessária, porém é imprescindível realizar um acompanhamento terapêutico adequado, entre psicólogos e psiquiatras.

17/04/2017

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